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Separar os resíduos orgânicos colabora para a produção de adubos. Reduzir o consumo de produtos com embalagens não recicláveis diminui o volume de lixo.

Nossa postura

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Por Roberta Malta em : Mesa sustentavel, Reciclagem // jan 5 2011

Fotos Carol Gherardi

Quando ficou decidido que o tema da Semana Mesa SP seria Sustentabilidade – O Que a Gastronomia pode Fazer pelo Planeta?, a ideia era levantar o debate entre profissionais da área para tentar mudar a realidade atual no que se refere ao assunto. A largada para a organização do acontecimento foi dada e uma coisa começou a incomodar a equipe de produção: como abrir as portas para discutir a sustentabilidade num evento que, de tão grande, inevitavelmente agrediria o meio ambiente? Todo mundo, então, arregaçou as mangas e saiu em busca de alternativas que estivessem em sintonia com essa temática e coubesse no orçamento pré-determinado.

O desafio começou na conversa com os expositores, uma vez que nem todos estavam alinhados com o movimento ecológico. Avisá-los de que eles teriam de evitar alguns materiais, que precisariam criar novas formas de apresentar seus produtos (a televisão, por exemplo, teve de ser apoiada em um tripé em vez de pendurada à parede) e trabalhar em estandes de papelão poderia ter assustado ou mesmo afastado os anunciantes. Poderia, mas não aconteceu.

“Todos abraçaram a causa imediatamente. Tenho certeza de que até quem não se interessava pelo assunto está hoje discutindo o tópico”, afirma Ana Kekligian, gerente de marketing de Prazeres da Mesa.

As estruturas foram criadas pela artista plástica Milene Gandolfi e montada por estudantes de arquitetura do Senac e do Mackenzie.

É claro que todo lixo do evento foi separado e mandado para reciclagem, mas isso ainda não é tudo. Para compensar as doses de carbono emitidas pelo evento, o Grupo Orsa (organização no setor de madeira, celulose, papel e embalagens) está plantando 2.400 árvores em áreas de preservação permanente no Estado de São Paulo.

“Vamos fazer a compensação de todo o gás emitido. O plantio será feito em uma área equivalente a três campos de futebol e todas as mudas serão colocadas ainda em 2011”, afirma Georges Schnyder, diretor comercial da Editora 4 Capas.

O Grupo Orsa, aliás, foi parceiro fundamental para que a engrenagem funcionasse de maneira sustentável. Todo o material para construção de estandes do Mesa Tendências e de móveis para o Ao Vivo veio dele, que se tornou o principal patrocinador institucional do acontecimento. Além das ecobags que continham o livro de apresentação dos chefs, kits para a imprensa, móveis de papelão, lixeiras.

O consumo de água em congressos desse tipo costuma ser grande. Sendo assim, não há outro jeito senão poluir o ambiente com copos de plástico ou garrafinhas PET, certo? Errado. A Água na Jarra, organização sem fins lucrativos, se juntou à produção e espalhou purificadores de água da IBBL pelo espaço, além de copinhos biodegradáveis. Com a atitude, estima-se que tenham sido economizadas 3.000 garrafas durante a programação, colaboração significativa à saúde do planeta.

O público também se mostrou aberto às mudanças e pouco reclamou do fato de a programação impressa ter sido substituída por banners. Aqui, outra surpresa: em vez de usar lonas ultrapoluentes, matéria-prima com a qual os banners geralmente são confeccionados, os grandes cartazes foram produzidos de tecido. Folders, convites e tais não puderam ser evitados, mas foram feitos por empresas que contam com o selo FSC – atestado de que é ecologicamente correta.

Presente Ecológico

O ponto de partida para a Semana Mesa SP foi o Jantar da Terra, que reuniu a cozinha de chefs nacionais e estrangeiros no restaurante Dalva e Dito, em São Paulo. Quem adquiriu o convite para a noite – cuja renda foi revertida à Fundação Tide Setubal, à Casa Espírita Jesus de Nazaré e à Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein – recebeu em casa a confirmação da compra por meio de um kit. Dentro dele, um vasinho de cerâmica feito pela comunidade de artesãos da Serra da Capivara, no sudeste do Piauí, trazia um pouco de terra para que o envelope do ingresso fosse plantado. Não, não se trata de um erro de digitação ou problemas na revisão: a sobrecarta era feita de papel semente e cola natural. Para fazê-la florescer, bastava cortá-la em pedacinhos e plantar.

Na saída da noite, cada participante levou de presente produtos da brasileiríssima castanha-do-pará, mais uma panelinha de cerâmica produzida pela Muriqui, ateliê que é um forte representante da cultura do país. Tudo, claro, acomodado numa elegante caixa de papelão que, hoje, virou embalagem chique – pelo menos para os que enxergam o mundo pelo viés da sustentabilidade.

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